Correio Braziliense
Assunto: Mundo
Título: 1d Americano quer reaver filho
Data: 26/09/2008
Crédito:
Disputa judicial
David Goldman luta com a família da ex-mulher brasileira pela custódia do menino Sean, trazido para o Brasil em 2004 pela mãe, Bruna Bianchi. Ela se divorciou unilateralmente, casou-se de novo e morreu no mês passado
Da Redação
“David, você é uma pessoa maravilhosa, o pai que eu sempre sonhei para o meu filho. Mas, se quiser vê-lo novamente, você terá de vir ao Brasil imediatamente resolver uma papelada com o meu advogado”, foram as palavras da brasileira Bruna Bianchi Carneiro Ribeiro para terminar o casamento com o americano David Goldman. Ela havia viajado para uma temporada de férias no Brasil e nunca mais voltou aos Estados Unidos. Desde então, o pai luta na Justiça pela guarda do filho. Bruna morreu no mês passado, vítima de complicações no parto de sua segunda filha, Chiara. A briga agora é entre o pai biológico e o último marido da brasileira.
O casamento de Bruna e David, em Nova Jersey, em 1999, começou como conto de fadas e terminou com roteiro de novela antiga. “Éramos uma família feliz”, contou o americano ao Correio, por telefone. Até que, em 16 de junho de 2004, Bruna e o filho Sean, na época com 4 anos, vieram visitar a família no Rio de Janeiro. Os dois nunca retornaram aos EUA. Na Justiça brasileira, Bruna divorciou-se unilateralmente. Anos mais tarde, casou-se com o advogado de família João Paulo Lins e Silva.
Nas primeiras semanas sozinho, David conseguiu conversar três vezes por telefone com o filho. “Quando procurei a Justiça para resolver o problema, me tornei inimigo da família Bianchi”, conta o americano. Depois disso, a única pessoa que podia manter contato com o menino, por telefone ou e-mail, era a avó paterna. Em janeiro passado, depois de quatro anos, o pai conseguiu, por intermédio da avó, conversar com o filho. “Eu disse que o amo, que sinto muita saudade e nunca desisti de ficarmos juntos. Ele foi recíproco, e ainda lembrou de quando a gente jogava boliche e fazia canoagem”, contou, emocionado. “É uma desgraça o que está acontecendo nos tribunais do Rio de Janeiro.”
Assim que soube da morte da ex-mulher, em 22 de agosto, David veio para o Brasil. “Fiquei triste pela família dela, pessoas que um dia eu amei, mas principalmente pelo meu filho. Ele precisa estar comigo, que sempre lutei pelos direitos dele”, alega. Na ausência de resultados imediatos, voltou para os EUA, mas sem perder a esperança de um dia levar Sean “para casa”. “Já que a Justiça não trabalha como deveria, se Deus faz as coisas justas, vai querer que eu fique com meu filho. A hora é agora.”
David Goldman pede a busca e apreensão do filho. O processo já passou pela Justiça Federal, que negou o pedido, e agora está pendente de decisão no Supremo Tribunal Federal (STF). Procurado pela reportagem, o advogado da família Bianchi — o último marido de Bruna, João Paulo Lins e Silva — não quis se manifestar. João Paulo apenas reiterou que a custódia de Sean foi entregue a Bruna, e agora requer a alteração da certidão de nascimento do menino para substituição do nome da paternidade documentária.
Em nota, o Escritório de Assuntos Relativos a Menores (Office of Children’s Issues) do Departamento de Estado dos EUA, em parceria com a embaixada americana em Brasília, afirmou estar providenciando, por meio dos canais diplomáticos, ajuda para Goldman reaver o filho. “Trabalhamos em proximidade com o governo brasileiro para tentar obter o retorno de Sean aos EUA, de acordo com a Convenção de Haia sobre os Aspectos Civis do Seqüestro Internacional de Menores. Agentes consulares estão acompanhando o caso junto aos tribunais federais”, diz o documento.