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Briga por guarda de menino ganha contornos de crise diplomática
Patrícia Campos Mello
O encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente americano, Barack Obama, em 17 de março, deverá acontecer em meio a um protesto contra o governo brasileiro em frente à Casa Branca. A manifestação está sendo organizada pelo grupo BringSeanHome, que luta pela repatriação do menino Sean Goldman, filho de David Goldman e da brasileira Bruna Bianchi Ribeiro.
O pai tenta há mais de quatro anos obter a devolução de seu filho, de 8 anos. David, que é americano, casou-se com Bruna em 1999. Sean nasceu em 2000. Quatro anos depois, a brasileira voltou ao Brasil com o filho, pediu o divórcio e entrou na Justiça pela guarda do menino.
A brasileira casou-se de novo em 2007 com o advogado João Paulo Lins e Silva. Em agosto passado, em decorrência de complicações no parto da filha, Bruna morreu. Sean continua vivendo com o padrasto, que se recusa a devolvê-lo.
"Espero que as autoridades brasileiras tomem a única decisão correta, de me reunir com meu filho", disse Goldman. "Não há desculpa nem explicação para o que está ocorrendo."
Ontem, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, falou do caso Goldman em sua reunião com o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim. "Ela disse que o caso é importante e sensível", disse Amorim. Ele voltou a enfatizar a posição brasileira de que "se trata de um assunto da Justiça". A Casa Branca não aceita essa posição e considera um caso regido por acordos internacionais, pela Convenção de Haia.
O caso Sean Goldman está mobilizando congressistas americanos e ameaça prejudicar as relações bilaterais. Há resoluções tramitando no Senado e na Câmara pedindo a devolução de Sean. Senadores recentemente propuseram uma resolução exigindo que o Brasil cumpra os requerimentos da Convenção de Haia e deixe Sean voltar a viver com pai.
Integrantes do grupo BringSeanHome dizem que há mais de 50 crianças americanas no Brasil na mesma situação. "Nós encorajamos todas as pessoas a entrar em contato com a secretária Hillary Clinton e o presidente Barack Obama antes da visita do presidente Lula, para que o sequestro de Sean faça parte da agenda do encontro", diz um e-mail enviado pela organização. "O Rio de Janeiro é uma das cidades finalistas para sediar as Olimpíadas de 2016 e nós queremos que o sequestro de Sean seja levado em conta na hora de escolher o vencedor", prossegue a carta.