http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u728092.shtml29/04/2010 - 21h35
Polícia do Rio investiga se erro médico causou morte da mãe de Sean
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DIANA BRITO
da Sucursal do Rio
Um relatório da Polícia Civil sobre a morte da estilista Bruna Bianchi Lins e Silva, em 2008, mãe do menino Sean Goldman, aponta que a equipe médica que a atendeu na Casa de Saúde São José, no Humaitá, zona sul do Rio, foi negligente. O delegado adjunto da 10ª DP (Botafogo), Carlos Sodré, afirmou à Folha nesta quinta-feira que vai enviar na semana que vem o documento ao Ministério Público Estadual para seguir à Justiça.
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De acordo com o relatório, mesmo ciente da gravidade do estado da paciente após o parto, os profissionais deixaram a estilista sob cuidados da médica Izabel de Araújo Nogueira, 70, "que sofre de esclerose múltipla em estágio avançado com restrições como locomoção".
Segundo o advogado da família Bianchi, Bruno Tavares, a médica estava de muletas, no dia que Bruna passou mal, e não prestou assistência necessária.
"Ela não fez nada e não deixou que ninguém fizesse. A doutora Izabel fazia parte da equipe médica do doutor Nadir Farah, que era o médico responsável, e o doutor Nadir não ficou lá. Ele fez o parto, saiu e deixou a doutora Izabel como responsável. Em seguida, a Bruna teve as complicações. Na Justiça vai ser avaliada a responsabilidade dele quanto a isso porque, se a médica tem esclerose múltipla, ela não poderia fazer nenhum tipo de intervenção", disse o advogado à Folha.
A mãe de Bruna, Silvana Bianchi disse que sua filha chegou a pedir ajuda algumas vezes por meio do telefone do quarto do hospital, mas quando teve complicações graves não conseguiu se mover. Ela ainda apontou como irresponsável a postura do chefe da equipe médica.
"Isso é uma insanidade, é uma irresponsabilidade. Foi negligência porque a minha filha começou a ter hemorragia e ninguém voltou pra vê-la. Ajeitavam ela na cama, colocavam ela de cabeça para baixo e para cima.. diziam que era problema da circulação, que ia melhorar e o sangramento era normal porque o útero estava regredindo", disse a mãe de Bruna.
Com a morte de Bruna, o pai de Sean, David Goldman, iniciou uma batalha judicial para ganhar a guarda do menino. Ele conseguiu levá-lo para Estados Unidos no Natal passado.
Outro lado
Por meio de nota, a Casa de Saúde São José informou que Bruna contratou equipe médica de sua família para o parto e que foi disponibilizada toda a estrutura hospitalar necessária.
De acordo com a unidade, "a sucessão de eventos que levou ao óbito da paciente, portanto, não se relaciona com o hospital, mas com decisões exclusivamente médicas, a cargo da equipe contratada diretamente pela família da paciente".
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