http://bsholveri.blogspot.com/2009/12/matar-por-amor-sequestrar-por-amor-caso.html29/12/09
Matar por amor - Sequestrar por amor - Caso Sean Goldman
in English
No dia 30 de dezembro de 1976, Evandro Lins e Silva, então com 64 anos, Advogado, Jurista, ministro do Supremo Tribunal Federal de 1963 a 1969, ocupante da cadeira de nº 1 da Academia Brasileira de Letras, acabava de usar a expressão que assombrou muitas mulheres: “legítima defesa da honra”, na defesa de Doca Street, um playboy carioca que assassinou com 4 tiros Angela Diniz, na casa desta em Búzios. Dr. Lins e Silva conseguiu para Doca Street a pena de dois anos com “sursis”, ou seja, em liberdade. Ele provou ao juri que a culpa não era de Doca Street e sim da vítima por ser ela, nas palavras do Advogado e Jurista, uma - "mulher fatal",e este era Doca Street em suas palavras - "Quando a boa índole do criminoso, o seu passado honesto, a qualidade moral e social dos motivos e a forma apenas violenta da execução do crime, seguida de manifestações de arrependimento ou de remorso, mostrarem que o mesmo crime - passional ou emotivo - foi um triste e doloroso episódio na vida normal do criminoso, não há razão para lhe ser aplicada alguma pena, ainda mesmo que não desonrosa. Toda repressão seria inútil e, como tal, iníqua.", ou seja, o homem pode “matar por amor”. (ver
http://tinyurl.com/yauk2et )
Anos depois um seu descendente, João Paulo Lins e Silva, achou-se no direito de manter o sequestro de Sean Goldman, também por amor. Ele era casado com a mãe do garoto, que veio a falecer, e praticamente tomou o filho de seu verdadeiro pai, o americano David Goldman, e numa relação já tão conhecida, a síndrome de Estocolmo, tratou de fazer que o garoto lhe chamasse de pai e escreveu para todos verem que era ele que bancava o garoto. Ver
http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/dizventura/texto.asp O pai verdadeiro, lutando na justiça americana e brasileira por esses 4 anos e meio, tendo que recolher dinheiro de doações para conseguir pagar as custas do processo, pois é um cidadão americano comum, sem herança de pai ou avô, para ter o filho de volta, sofria a falta do garoto e estava exposto pela mídia colonizada brasileira, principalmente a carioca, como um vagabundo, um aproveitador.
Enquanto isso o Sr. Lins e Silva transitava por Búzios exibindo o filho de David Goldman como seu, pois para um Lins e Silva, pagou, é seu. Esse advogado, neto de ministro do Supremo Tribunal Federal, a justiça está em suas mãos. Conseguiu fazer o divórcio da mulher de Goldman sem que o próprio Goldman soubesse. Ela era divorciada no Brasil e nos Estados Unidos não, e a nossa justiça deu a ele a custódia do garoto Sean Goldman. Ele se justifica: “Logo após o falecimento da minha amada mulher, tomei a iniciativa judicial requerendo a guarda provisória de Sean, com quem já cuidava e mantinha relacionamento de pai – filho há mais de 4 anos. Recebi a guarda provisória após concordância do Ministério Público Estadual a meu favor.”
Claro, os juízes todos haviam sido alunos de seu avô.
A justiça brasileira tem agido assim há muito tempo. É o grande poder no Brasil. Todos abaixam a crista para o Judiciário. Chegamos ao ponto do Supremo Tribunal de Justiça derrubar a Lei de Imprensa, tornando a imprensa livre em um mês e manter a censura imposta a um dos principais jornais do Brasil, o Estado de São Paulo no mês seguinte.
Até quando nós vamos permitir isso?
O que mais me chocou no caso Sean Goldman foi a mídia defender o marido da mãe morta do garoto, mesmo sabendo que a Convenção de Haia existe para que esses casos não aconteçam, para que crianças não sejam sequestradas de seus pais e de seu país. O garoto é americano, nascido nos Estados Unidos e foi mantido aqui por 4 anos e meio sem o consentimento do pai, porque a mãe do garoto era uma empresária bem sucedida carioca e casada com um Lins e Silva.
A imprensa fez um papelão no caso Sean Goldman. Colocou a opinião pública contra o pai do garoto porque ele é um cara comum e o marido da mãe morta é um ricaço carioca bem relacionado no meio judiciário e neto de um jurista que considerou Angela Diniz culpada por ter sido morta por Doca Street. A filha de Angela Diniz, então com 12 anos, foi quem mais sofreu com a morte da mãe. Imagino a raiva que ela tem do advogado que inocentou o assassino de sua mãe.
Sean Goldman vai crescer e virar um homem. Eu fico imaginando o que ele vai sentir por ter sido usado por pessoas sem escrúpulos e sem senso de justiça.
Esse é o Brasil que vivemos. Parece mais que estamos no século 19. A ignorância aqui é o que nos faz pensar em desamor patriótico.