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Author Topic: Achei essa reportagem antiga da Veja  (Read 671 times)

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Offline liesl78

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Achei essa reportagem antiga da Veja
« on: June 28, 2009, 07:58:21 PM »
Não sei se já foi postada
 
http://veja.abril.com.br/200705/p_108.html
 
 
Justiça
Seqüestro em família
Um drama familiar ganha dimensões
de problema internacional: estima-se
que 350 000 crianças em todo o mundo
tenham sido roubadas por um dos pais
e levadas para viver em país estrangeiro

Gabriela Carelli, de Buenos Aires
Mario Cocchi
Os três filhos de Gabriela Arias foram levados pelo marido muçulmano para a Jordânia, onde vivem há quase oito anos: "Vi as crianças em sete ocasiões, sempre vigiada por capangas armados"
 
Sempre que um casal com filhos pequenos se separa, surge a questão crucial: quem ficará com a guarda das crianças? Freqüentemente, ao fim de muita briga, essa decisão é confiada à Justiça. Em um número cada vez maior de separações, a disputa se torna internacional. Isso ocorre quando o pai e a mãe têm diferentes nacionalidades e um deles foge com as crianças para o país de origem. Com o aumento do número de casamentos do gênero, facilitados pela globalização, tais incidentes tomam as proporções de uma epidemia mundial. Estima-se que existam atualmente em todo o mundo 350.000 casos de crianças seqüestradas por um dos pais e levadas para outro país. Só nos Estados Unidos há 10.000 processos envolvendo esse crime. O governo francês calcula em 1.500 o total de ocorrências no país por ano, número três vezes maior do que o registrado uma década atrás. No Brasil, não há estatísticas. A Secretaria Especial dos Direitos Humanos tem apenas seis casos registrados, mas o número de ocorrências é bem maior. "Muitos pais preferem não comunicar os órgãos oficiais antes de tentar outras formas de negociação", diz o advogado Ricardo Zamariola Júnior, de São Paulo, especialista em seqüestros internacionais.
O grande obstáculo para a solução dos seqüestros realizados por um pai ou mãe estrangeiro é que eles caem numa espécie de limbo jurídico. O que vale para a Justiça de um país pode não valer para a de outro. Os tribunais também tendem a dar a guarda dos filhos ao cidadão do país onde corre o processo. A situação é particularmente dramática nos casos de crianças levadas pelo pai muçulmano. "Nos países islâmicos, nos quais as leis do Estado se misturam com as leis religiosas, o pai tem direito absoluto sobre a criança e nenhuma lei ocidental é levada em consideração", disse a VEJA a americana Janet Johnston, advogada especialista em seqüestros de menores do Centro para a Família em Transição Judith Wallerstein, na Califórnia.
Otavio Dias de Oliveira
Vagna Abbas, que teve os dois filhos levados pelo marido libanês há oito anos, mantém o nome de casada: "Faço isso para que eles possam me encontrar. Minha esperança é que fiquem curiosos em saber quem sou"
 
O caso da argentina Gabriela Arias Uriburu, de 40 anos, relatado no livro Jordânia, a Travessia: Em Busca de Meus Filhos, recém-lançado na Argentina, ilustra bem a situação de uma mãe que se vê privada do convívio com os filhos. Nascida no Brasil, Gabriela é filha de um embaixador argentino. Aos 26 anos, quando morava na Guatemala com os pais, conheceu quem pensava ser seu príncipe encantado: o jordaniano Imad Shaban, formado nos Estados Unidos e herdeiro de uma das maiores fortunas da Jordânia. Os dois casaram-se e tiveram três filhos. Há oito anos, o casal se separou. Inconformado com a decisão da Justiça guatemalteca, que concedeu a guarda das crianças a Gabriela, Imad seqüestrou os filhos Karim, então com 6 anos, Zahira, de 4, e Sharif, de 2, e os levou para a Jordânia. Desde então os meninos estão proibidos de ver a mãe, a não ser nas raras visitas de Gabriela ao país do Oriente Médio, consentidas após longas negociações diplomáticas.
Numa tentativa de reaver seus filhos, Gabriela encontrou-se com três presidentes argentinos, o rei Hussein, da Jordânia, e a senadora americana Hillary Clinton, além do papa João Paulo II. Foi a primeira vítima de um seqüestro do gênero a buscar ajuda na ONU. Graças a esse esforço internacional, ela recebeu permissão para ver os filhos. Esteve na Jordânia sete vezes. "Foram encontros curtos, de uma hora, monitorados por capangas de Imad", diz Gabriela. Há seis anos, ela criou uma ONG para assessorar famílias que vivem o mesmo drama. Desde 1999, a ONG atendeu 2.000 casos ocorridos na América Latina.
Vagna Bandeira Abbas, de 40 anos, foi uma das vítimas brasileiras. Em 1997, seus dois filhos, Benali, então com 3 anos, e Ramez, de 1, foram levados para o Líbano pelo pai, o engenheiro Atef Said Abbas. De lá para cá, Vagna só viu seus filhos uma vez. "Na minha visita ao Líbano, um funcionário da embaixada brasileira disse para eu não entrar em discussão com a família do pai ou com a Justiça libanesa, pois eles usam a religião como escudo e isso é um ponto final", relata Vagna. "Minha esperança é que as crianças, no futuro, venham me procurar. Mantenho meu sobrenome de casada para que eles me encontrem."
 
Oscar Cabral
Depois de quinze anos, a carioca Maria Célia Vargas conseguiu reencontrar o filho na França: "Estamos recuperando o tempo perdido"
A história da terapeuta carioca Maria Célia Vargas, de 51 anos, teve um final razoavelmente feliz. Em 1986, seu filho, Hugo Rozner, então com 3 anos, foi raptado pelo pai, o advogado francês Raymond Rozner. Maria Célia o reviu depois de quinze anos de procura. O encontro só foi possível porque um amigo do rapaz ouviu uma reportagem na Rádio França sobre seqüestro de menores na qual os nomes de Hugo e de seu pai eram citados. Até então, Hugo pensava que a mãe o havia abandonado e, depois, morrido. O rapaz pediu ajuda às autoridades francesas para localizar a mãe no Brasil e, afinal, eles se reencontraram em 2001. Agora, Hugo planeja passar algum tempo no Rio de Janeiro com Maria Célia. "Todas as mulheres que enfrentam essa situação devem saber que, mesmo depois de muitos anos, a ligação entre mãe e filho continua forte", diz ela. "É uma relação que nenhuma distância apaga."
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Pai e filho tb não!!!!
Liesl78
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BringSeanHome.org

Offline Etapa

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Re: Achei essa reportagem antiga da Veja
« Reply #1 on: June 28, 2009, 08:55:47 PM »
Fiquei muito emocionada com essa reportagem, meu Deus quanto tempo perdido por egoismo de uma das partes!

Offline Belleizel

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Re: Achei essa reportagem antiga da Veja
« Reply #2 on: June 28, 2009, 09:26:55 PM »
Que tristeza, Que Deus de forcas para aliviar a dor de quem sofre separado de seu filho! O mundo precisa acordar, a retencao ilegal de criancas e grave!